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Edson Queiroz, fundador da Unifor, está entre os Pioneiros & Empreendedores

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Quem são os pioneiros que fizeram a história empresarial do Brasil? Francisco Matarazzo, Ramos de Azevedo, Julio Mesquita, Mauá, Guilherme Guinle, Gerdau-Johannpeter, Roberto Marinho, Delmiro Gouveia e o industrial cearense Edson Queiroz são alguns dos nomes em destaque na exposição Pioneiros & Empreendedores: A Saga do Desenvolvimento no Brasil.

Ao ser destacado como um dos "Pioneiros & Empreendedores", Edson Queiroz ressalta, acima de tudo, a confirmação de que o pioneirismo empresarial no Brasil não se restringiu a limites regionais. Ele que, a cada problema, contrapunha uma solução, criou a Esmaltec, para fabricar seus próprios fogões; uma empresa marítima, para transporte de suas mercadorias; passou a fabricar seus próprios botijões; fundou a Universidade de Fortaleza; e assim por diante. Pouco a pouco, foi construindo mais e mais.

A coleção "Pioneirismo Empresarial no Brasil" se divide em três tomos e é no terceiro deles que Marcovitch fala do industrial cearense. A proposta da série é "iluminar o papel desempenhado por figuras marcantes no processo de desenvolvimento do País". A coleção compreende quase dois séculos de trajetória empresarial, permitindo acompanhar o desenvolvimento e a sistematização do setor.

A narração começa com os negócios de Antonio da Silva Prado (1778 - 1875), o Barão do Iguape, em meio às transformações da então colônia portuguesa. Ela se estende até os nossos dias, quando as ações se desenraizam e a atuação dos empreendedores ganha magnitude global. Edson Queiroz faz parte do grupo de empreendedores contemporâneos, responsáveis por esse salto que relativiza os limites geográficos.


CONFIRA trechos que falam sobre o industrial cearense Edson Queiroz:

Investimento em educação
No final da década de 1960, o acesso à universidade era, em todo o Brasil, um privilégio alcançado por apenas 1% da população alfabetizada. Se dez milhões de alunos concluíam o curso primário, apenas cem mil ultrapassavam a barreira do vestibular. Em Fortaleza, a única possibilidade existente para quem desejasse prosseguir os estudos após o secundário era a Universidade Federal do Ceará, fundada em 1954. Aos outros só restava a alternativa de abandonar os estudos ou migrar para outros estados à procura de vagas. Em suas conversas com sua esposa, Yolanda Queiroz, que também se interessava vivamente pela questão, Edson Queiroz costumava repetir que o Ceará, precisando tanto de seus filhos mais dotados, exportava-os. Não se conformava com a situação, que conhecia de perto, pois estava sempre à procura de executivos qualificados para suas empresas.

Desse inconformismo nasceu, no dia 26 de março de 1971, a Fundação Edson Queiroz, entidade de direito privado sem fins lucrativos, com o objetivo de investir na educação. Logo de saída, declarou sua intenção de criar uma universidade inteiramente nova – a Unifor. Foi escolhido um terreno de 447 200 metros quadrados na avenida Perimetral, local aparentemente isolado e distante, mas que a própria formação da Universidade ajudaria a desenvolver.

A autorização de funcionamento veio através de Decreto Federal, em 4 de janeiro de 1973; no mês seguinte, do mesmo ano, realizou-se o primeiro vestibular. As 1270 vagas abertas em dezessete cursos foram disputadas por 2007 candidatos.
” *

Homem de negócios
O comércio sempre esteve no centro da existência de Edson Queiroz, desde que se conheceu por gente na pequena cidade de Cascavel, a 60 Km quilômetros de Fortaleza, capital do Ceará. Nasceu em 12 de abril de 1925, numa noite de lua cheia, primeiro filho homem e segundo de seis irmãos. Recebeu o nome de Edson, em homenagem ao inventor norteamericano, muito popular no Brasil daquela época.

Era filho de Cordélia Antunes Queiroz e de Genésio Queiroz, comerciante estabelecido em Cascavel com uma loja do tipo bazar e mercearia. A loja progrediu regularmente durante a década de vinte, mas veio a crise de 1929, agravada por um período de estiagem (Cascavel pertence ao polígono das secas). O horizonte ali parecia limitado. Em 1932, a família mudou-se para Fortaleza, onde abriu nova mercearia no centro da capital. Três anos mais tarde, o negócio cresceu, transformando-se num armazém para o comércio atacadista de arroz, feijão e, sobretudo, açúcar.

Nessa época, Edson tinha apenas dez anos, mas já estava envolvido no comércio, ajudando no armazém paterno em pequenos serviços de limpeza e entrega. E além disso cuidava de seus próprios negócios. Guardava, debaixo de sua cama, uma caixa com miudezas do tipo cadarços de sapatos, agulhas, linhas, alfinetes, grampos ou fivelas e, nas horas vagas, ia oferecê-las discretamente na vizinhança. No começo do ano letivo, enriquecia seu estoque com material escolar. Aos doze anos, começou a fabricar fogos de artifício e, pouco depois, tinta para canetas, segundo uma fórmula aprendida com um estrangeiro hospedado num hotel de Fortaleza. A maior parte de seu tempo, no entanto, era dividida entre a loja de seu pai e os estudos.

Desde os quinze anos, encarregava-se de abrir o armazém às seis da manhã, saía para a escola e, quando acabavam as aulas, voltava para o trabalho, onde permanecia até as 21 horas para o fechamento do caixa. Como ele recordaria mais tarde, numa entrevista para a revista Manchete: “a regra do jogo lá em casa era essa: quem pode se mexer, carrega pedra” (Cotta, 1972). *

* Retirado do livro Pioneiros & Empreendedores: A Saga do Desenvolvimento no Brasil (volume 3, Edusp, 2009)

 
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